quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"Professor, vou prestar concurso público. E a redação, hein?!"

- Professor...
- Olá, Júlio! Tudo bem?
- Sim. Tudo.
- E então, o que faz da vida?
- Vou prestar concurso público no próximo domingo.
- Que legal! Estudou bastante?
- Ah, mestre, sabe como é, né?
- Sei... 
- A gente nunca está preparado... 
- É...
- Mas o meu problema mesmo é a redação. Foi muito bom encontrar com o senhor, só assim posso aprender uns “macetes”.
- Macetes, Júlio?! Redação não é um game.
- Umas dicas, sei lá, qualquer coisa. Preciso aprender a escrever de qualquer jeito.
- Júlio, sua prova é daqui a dois dias... 
- Mas não dá tempo?! Não é só seguir aquela parada de introdução, desenvolvimento, conclusão?
- Não, Júlio, não é bem assim... você não prestou atenção mesmo nas minhas aulas, hein!
- Ah, professor, que isso! Suas aulas eram as melhores, as que eu mais gostava.
- Eu sempre abominei os manuais e as “fórmulas mágicas”, Júlio. Vivia falando disso em sala. Dizia o tempo todo que escrever é uma habilidade adquirida com muita leitura e muito treino. Não se lembra?
- Lembro sim.
- Pois não é o que parece... 
- Foi mal, fessô.
- Mal mesmo, Júlio. Você se lembra da primeira aula de produção textual?
- Aquela em que o senhor fez um círculo e conversou com a gente sobre um monte de coisas?
- Uhum.
- O senhor falou um tempão sobre livros, leitura... não foi?
- Foi. E a pergunta principal, que eu fazia a cada um, era: “Você lê?”
- Haha. É verdade. Eu mandei logo um caô, disse que lia jornal, revista...
- Era tudo mentira, Júlio?
- Ah, professor, fiquei com vergonha, né? E ainda tinha a Fernandinha na sala, aquela gracinha, que vivia lendo romances. Tinha que fazer uma média, pô.
- É, né? As suas médias é que não eram boas.
Risos.
- Júlio, naquele dia - me lembro bem -, eu disse: “vão para casa e se transformem em leitores. Do contrário, infelizmente, não há como ajudar”. E é o que eu digo a você hoje novamente, meu rapaz. É preciso ler muito, ler sempre, ler de tudo. Não há atalhos. Ninguém aprende a escrever se não for um bom leitor.
- Entendi.
- Ah, mas só ler não adianta, hein! Assistir a muitos shows não faz de ninguém um músico. É preciso escrever... escrever... escrever... todos os dias! Não digo que você se tornará um escritor, mas, com certeza, perderá o medo de olhar para a folha em branco.
- É, eu tenho mesmo medo da folha em branco, professor. É como se eu tivesse que pular em uma piscina sem água.
- Siga os meus conselhos, meu jovem.
- Tá. Mas e a prova de domingo?
- Boa Sorte, Júlio. Boa sorte!

(by Marcos Florentino)

O que já publiquei no Twitter (2)

“Ninguém faz o mal para sempre. A vida é um bumerangue.”

“O pior diabo é sempre aquele que o espelho revela.”

“Quem faz da vida do outro um inferno, mesmo sem ter percebido, tornou-se diabo.”

“Todo invejoso é um grande admirador.”

“Nunca conheci um fofoqueiro que fosse feliz. Gente feliz está ocupada em viver. A motivação para toda fofoca é a infelicidade.”

“Não acredito nos fofoqueiros porque, para viverem confortavelmente na sombra, lançam toda a luz sobre os outros.”

“Há muitas formas de fazer o bem. Uma delas é calar a boca.”

“COISAS DA LÍNGUA. Fofoca rima sempre com boboca.”

“Por que os dicionários não apresentam a principal acepção para o verbete ‘orgulho’: INSEGURANÇA NÃO CONFESSADA?”

INTELECTUAL: eufemismo para ‘homem metido a besta’.”

“Em um mundo injusto e miserável, alegria pode ser sinônimo de exagero.”

Corrupção também é fazer um povo acreditar que o beneficio recebido não é direito, mas favor a ser retribuído com voto.”

“As redes sociais deram voz aos oprimidos e aos que clamam por justiça, mas ampliaram o grito dos inconsequentes e dos paladinos sem história.”

Dizem por aí que gosto é igual a c*, cada um tem o seu. Acho que isso explica porque alguns interesses cheiram tão mal.”

“Não há bons e maus, justos e injustos, santos e pecadores, quando o espírito é beligerante.”

Aplaudir (a poucos) sempre foi a minha forma de protestar.”

Ao tachares alguém de ‘preconceituoso’, cuida para não incorreres no erro que condenas.”

“Em uma sociedade que aplaude o imbecil e torna célebre o medíocre, o anonimato é a maior conquista.”

“O grande patrimônio de um professor é o seu aluno.”

“Elaboração de pensamento não faz mal a ninguém. Até o simples precisa de uma dose de requinte. Simplicidade não é sinônimo de simplismo.”

Desconfie sempre de quem não gosta de poesia.”

“Não há palavras ou temas proibidos na literatura. Há leitores proibidos. O mau leitor faz sempre mal ao texto.”

O poema é o orgasmo do poeta.”

“A vida é dura, mas é bela.
A vida é bela, mas é dura.
Escolha a sentença.”

“Toda verdade liberta (meias verdades aprisionam).”

“Dignidade é dizer o que se pensa sobre alguém tête-à-tête. Do contrário, é covardia travestida de sinceridade.”

“Todo ser carrega belezas. Feio é não percebê-las.”    
               
Joana era bonita e sensual. 
Fernanda, inteligente e boa de papo. 
Sara era bem-humorada. 
Feliz foi aquele que se encantou por Sara!”

“Bem-aventurados os que flertam, porque deles é o reino do amor.”

“Magoar um coração feminino é pecar duas vezes.”

“Mãe: expressão feminina da divindade.”

As pessoas esperam muito umas das outras. Eu já ficaria feliz se não trocassem o ‘mas’ pelo ‘mais’.”

Amar cura a amargura e atura a agrura, quando amar dura e se torna armadura.”

“Nada pode ser mais ameaçador que a dor que ameaça; e enquanto a ameaça da dor não for ameaçada, ameaçador será conviver com a ameaçadora dor.”

“A mulher é a prova da existência de Deus. Nenhuma outra mente ou processo seria capaz de criar algo tão belo e perfeito.”

“Só pode duvidar da existência dos anjos quem nunca observou um pé feminino.”

(Pensamentos de Marcos Florentino)

Percepções sobre Deus e a religião

1 - Deus não é judeu. Deus não é católico. Deus não é protestante. Deus não é evangélico. Deus não tem religião. Deus é Deus. Divinamente livre... Há quem tente enclausurá-Lo nas paredes frias da religião, mas como confinar o CRIADOR do universo?!

2 - A religião cria sempre um deus segundo sua imagem e semelhança. O deus da religião é intolerante, meticuloso, austero, tirano, mal-humorado, castrador, déspota, patrão, inexorável, controlador, arbitrário, estraga-prazer, carente de atenção, cheio de manias, envolvido em questiúnculas... gosta disso, não gosta daquilo... castiga, pune, cobra, toma, fica zangado... mais parece uma criança mimada ou um velho ranzinza.

3 - Os caminhos do homem em busca de Deus são sempre marcados pelo sacrifício, pela barganha, pelo cumprimento de regras, pelos atos meritórios, pela devoção neurótica, pelo fazer e não fazer... Jesus, contudo, afirmou: ‘Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim’.
  
4 - A religião tem o poder de desumanizar, de corromper, de idiotizar, de enfear, de subtrair aquilo que era puro, de engendrar seres desalmados... Muita gente piorou depois que abraçou uma religião. Gente que era dócil e ficou azeda... Gente que amava e deixou de amar... Gente que era gente e ficou parecida com o diabo...
  
5 - O deus apresentado pela religião é antagônico ao Deus revelado na pessoa de Jesus. E os evangelhos estão à disposição no cânon bíblico para qualquer um que ainda não tenha se convencido disso... Não há nada novo sendo dito aqui, apenas a verdade que a religião e os seus adeptos não conhecem nem podem reconhecer.

(Marcos Florentino, 2006)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A vida na Idade Mídia [Diálogos]


I

- WhatsApp? 
- Não.
- Instagram? 
- Não.
- Google +? 
- Não.
- Twitter? 
- Deixei.
- Facebook? 
- Pretendo deixar.
- Mas... e a vida, como fica?
- Ué, o que tem a vida a ver com essas coisas?!

II

- Olá, meu nome é Edson!
- Ah, muito prazer... o meu é Cláudia.
- Tem Facebook?
- Ah, sim, tenho.
- E como acho você?
- Procure por Cláudia Leoto.
- Vou procurar agora mesmo.
- Tá bom.
- Achei! Nossa, que foto bonita a sua!
- Obrigada!
- Veja que legal...
- O quê?
- Você é de Curitiba também.
- Sim. Meus pais ainda moram lá.
- Vou ver o que mais posso descobrir sobre você. 
- Pode perguntar diretamente pra mim, Edson.
- Ah, mas quero ler também os seus posts.
- Curioso, hein!
- Fazer o quê, né? A culpa é do Face...
- Que tal se a gente dançasse um pouco?
- Como?!
- Você quer dançar comigo?
- Ah, espere eu terminar de fazer um comentário aqui. Rapidinho. Legal esse link que você postou sobre a “dependência em redes sociais”.
- Edson, você não larga esse celular... vou embora.
- Não, espere... tire uma foto comigo antes. Quero postar. Já tenho até uma legenda: “Noite inesquecível com a Cláudia”.
- Tchau, Edson.
- Cláudia, por favor, espere... Você não me chamou pra dançar?!
Segundos depois...
- Já sei o que vou postar aqui no Face: “Mulheres... como entendê-las?”

III

- Cara, tô chegando no Facebook agora. Resisti por um tempo, mas não adiantou.
- Sei como é...
- Você pode me dar umas dicas?
- Sim, claro. O que quer saber?
- Tudo.
- Bem, vou simplificar...
- Beleza.
- Quando gostar de algo, curta; quando gostar muito, compartilhe; quando imprescindível, comente; no mais, ignore. É o que eu chamo de “Facebook para principiantes”, mas serve para todos. Infalível!
- Valeu, meu nobre. Vou pôr em prática aqui.
- Ah, tome cuidado para não ficar viciado, hein! Quase todo mundo fica.
- Tô sabendo...

(by Marcos Florentino)

Cristianismo x Evangelho [Diálogos]


I

- Qual a sua igreja?
- A de Cristo.
- Tá, tudo bem. Mas onde fica?
- Onde estiverem dois ou três reunidos em nome Dele.
- Hum... Mas vocês têm pastor, né?
- Cuidamos uns dos outros, há um pastoreio mútuo.
- Mas eu falo de uma pessoa dizendo o que temos ou não de fazer.
- O Novo Testamento já não diz?
- Sim, mas falo de uma “cobertura espiritual”.
- Estranho, esse lance de “cobertura espiritual” o Novo Testamento não fala...
- Não?!
- Não! Estamos cobertos pelo sangue de Cristo. E isso basta.
- Mas não pode haver um líder, um guia, um mentor?
- Ah, sim, pode. Mas tudo é natural. Não há oficiais, entende?
- Acho que você simplifica demais as coisas.
- Mas por que complicar o que começou simples?
- Vocês não têm regras, doutrinas?
- No evangelho, o único dogma é o amor.
- Só isso?!
- Só. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Nunca leu?
- Li, mas e os usos e costumes? 
- Papo de religião, mano. Coisa do Cristianismo, não do evangelho.
- É, você é um cristão meio diferente, né?
- Obrigado pelo elogio!
- Mas eu não pretendia elogiar...
- Seja como for, obrigado.
- A paz do Senhor, varão!
- Tenha um bom dia, meu irmão!
- Peraí... você não vai me dar “A paz”? 
- Calma, mano. Você vai brigar por causa da paz? 
- “Bom dia” todo mundo fala!
- Mano, quando somos do Senhor, a paz dele nos habita.
- Sei não...
- Tudo bem. Vá na paz. Do Senhor.
- Agora já me sinto melhor.

II

- Ei, você é cristão?
- Sim e não.
- Hã? Como assim “sim e não”? Ou é ou não é.
- Engano seu.
- Tá, então explique. Quero só ver.
- Sou cristão por causa de Cristo, não por causa do Cristianismo.
- E não dá no mesmo?
- Negativo. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.
- Ah, deixa pra lá... não entendi muito bem. E evangélico, você é?
- Sim e não.
- Meu Deus, de novo esse negócio de “sim e não”?!
- Sou evangélico por causa do Evangelho, não por causa do movimento.
- Fiquei na dúvida se você é ou não crente. Melhor não fazer mais nenhuma pergunta, né?
- Quer que eu responda?
- Ah, sei lá... sim... quer dizer, não...
- Tá aprendendo, viu só?

III

- Malafaia?
- Não.
- Feliciano?
- Não.
- Macedo?
- Não.
- Estevam?
- Não.
- Valdomiro?
- Não.
- R.R. Soares?
- Também não.
- Você não ouve nenhum pastor?
- Ouço sim.
- Mas eu citei praticamente todos.
- Engano seu.
- Então diga os nomes...
- Caio Fábio. Conhece?
- Não.
- Ed René. Conhece?
- Não.
- Ricardo Gondim. Conhece?
- Não.
- Tá vendo só? Você ouve uns, eu ouço outros. 
- Mas não dá para ouvir todos?
- Não, a menos que você não entenda nada.


IV

- Você ouve música gospel?
- Não, mas ouço música cristã.
- Não entendi. 
- Você já ouviu João Alexandre?
- Não.
- Stênio Marcius?
- Não.
- Jorge Camargo?
- Não.
- Tá explicado.

(by Marcos Florentino)

Conselhos preci(o)sos para quem precisa escrever

Frequentemente, alguém se aproxima e lança o pedido: “Pode me ensinar a fazer uma redação?”. Geralmente, a súplica vem acompanhada de uma das observações a seguir: “preciso prestar um concurso neste final de semana”, “tenho que entregar amanhã na faculdade”. Às vezes, o pedido dá mesmo lugar ao descaramento, e lá vem: “Você pode escrever um texto para mim?” 

Todos os que foram ou são meus alunos sabem que não acredito em “fórmulas mágicas”. Escrever é uma habilidade adquirida com muita leitura e muito treino. Portanto, pergunto sempre: “Você lê?”. 

Se a resposta é “não”, digo: “Vá para casa e se transforme em um leitor. Do contrário, infelizmente, não há como ajudar”.

É preciso ler muito, ler sempre, ler de tudo... 

É preciso ler de modo inteligente (isto é, ler cada palavra, cada expressão, cada construção, cada estilo).

É preciso ler as entrelinhas (o que está dito, mas não escrito).

É preciso ler contos, crônicas, poemas, artigos, gibis, bulas, panfletos... 

É preciso ler História, Filosofia, Psicologia, Sociologia, Antropologia, Linguística...

É preciso abrir os jornais e as revistas... 

Mas só ler não adianta.

Assistir a muitos shows não faz de ninguém um músico.

É preciso escrever... escrever... escrever (todos os dias!). Começar (por que não?) pelo Facebook. Abrir uma conta no Twitter... tentar produzir conteúdo interessante em 140 caracteres (é um bom começo!). Só assim as dúvidas surgirão e o processo de aprendizagem terá início. Não garanto que alguém se tornará escritor, mas, com certeza, perderá o pavor de olhar para a folha em branco.

Tudo o que disse foi muito simples, mas espero que tenha sido útil.

(Marcos Florentino)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Por que ler Marchado de Assis?

Ao longo do tempo, a crítica literária vem atribuindo ao estilo narrativo de Machado de Assis uma série de rótulos: pessimista, irônico, volúvel, romântico, realista... contudo, tais concepções não são capazes de explicar/depreender a arte machadiana, extremamente original.

Machado é hors-concours. Não pertence a “escolas literárias”, não firma compromissos com estéticas vigentes, não se ocupa em causar emoções às leitorazinhas ávidas por historietas de amor, não conta se Capitu traiu ou não Bentinho (isso não importa!). Sua narrativa não é de acontecimentos, mas de conhecimento da alma humana em sua paradoxalidade, em seu estado permanente de unidade dual (bem e mal habitando a mesma casa). Por isso, não há moralismos ou maniqueísmos em sua escrita. Por isso, a ação torna-se sempre pretexto, pois trata do SER, e não do fazer dos personagens. Subordina o acontecimento à reflexão. Não está ocupado em satisfazer curiosidades, não se aferra à lei da causa e efeito, não obedece a lógicas, como a cronológica, pois pode até começar pelo fim, sendo mesmo um “defunto autor”. Inovador e singular. Ou, conforme advertiu em Ressurreição, seu primeiro livro: “Não quis fazer romance de costumes...”. Aos romances de costumes fica bem o drama, o suceder das ações, o conflito externo. À escrita machadiana, cabe o conflito interior, o desdobramento do ser, a consciência multivocal.

Ao ler Machado de Assis, lemos a nós mesmos. Estamos em seus personagens. Sua escrita revela nossas ambiguidades mais latentes, mostrando a essencialidade que nos pervaga.

Assim, quem quiser conhecer melhor a si mesmo, que leia Machado de Assis! 

(Marcos Florentino)

domingo, 23 de novembro de 2014

O que já publiquei no Twitter (1)

“Jesus nunca pediu que marchássemos por ele ou que cantássemos uma canção com seu nome, mas ordenou: ‘amai-vos uns aos outros’.”

“Não há espaço para a leveza do Evangelho no Cristianismo.”

“Só ama os livres quem também é livre. Como a religião subsiste pelas amarras e grilhões que fabrica, a liberdade lhe é inimiga.”

“O Evangelho é o funeral da religião.”

“O Evangelho não precisa de muletas, pois caminha sozinho. Nele não há regras, apenas princípios.”

“Certo e errado são categorias estranhas ao Evangelho. O que se verifica é o que faz bem e o que não faz bem à vida.”

“Santidade legalista não passa de esconderijo para almas sombrias. Santarrões costumam ser santarados na essência.”

“Pecado é, sobretudo, não se enxergar.”

“A religião é o império das meias verdades.”

“Essência e aparência são sempre irmãs gêmeas, quando geradas pela verdade.”

“Deus não é judeu. Deus não é católico. Deus não é protestante. Deus não é evangélico. Deus não tem religião. Deus é Deus. Divinamente livre.”

“O ETERNO não cabe em nossas molduras.”

“O deus apresentado pela religião mais parece uma criança mimada ou um velho ranzinza. Enquanto isso, Deus conforta um coração aflito.”

“Um coração simples não se encontra em qualquer esquina, mas recebeu a visita de Deus.”

“O diabo gosta de religião, mas não fica bem admitir.”

“Anunciar meias verdades é acender uma vela para Deus e outra para o diabo. E, por fim, agradar somente ao último.”

“Não permita que a igreja desvie você do caminho proposto por Jesus.”

Evangelho não é o que se vê na TV. Evangelho não é o que se ouve na música gospel. Evangelho é apenas o que se parece com Cristo.”

“Às vezes, a música gospel é só um cacófato.”

“A fé sempre nos põe na contramão do sistema; logo, não há fé genuína que seja ‘politicamente correta’.”

“Quanto mais ‘evangélico’ o indivíduo se torna, menos do Evangelho carrega dentro de si. É o que tenho observado. Com lamento.”

“Sei que há muita gente apenas magoada com a instituição ‘igreja’, mas deixar de ser evangélico por amor ao Evangelho é coisa bem diferente.”

“Muitas vezes, para salvar a alma, o melhor a fazer é não visitar a igreja mais próxima de casa.”

“O ensino das igrejas é a prova de que os cristãos não entenderam a Bíblia. E falo dos sinceros. Os falsos entenderam e falsificaram-na.”

“Há sempre mais dignidade nos poetas que nos profetas.”

“Não é tão difícil reconhecer um fariseu, principalmente se ele estiver por perto. Este está sempre tentando esconder o seu focinho de lobo.”

“Mesmo não sendo verdade que a mentira faz o nariz crescer, chega o dia em que a máscara não se ajusta mais ao rosto e cai.”

“FALSOS PROFETAS são os que se aproximaram do redil, cobriram-se de lã, mas uivaram com a chegada da lua cheia.”

“Caio Fábio – por décadas – foi a cara bonita da igreja evangélica brasileira. Sem ele, veio à tona uma aparência dantesca.”

“Quando ouço alguém dizer: ‘Caio Fábio é um herege’, fico calado. A sabedoria demanda silêncio diante de um idiota.”

“FÉ E FEZES. Enquanto alguns ‘fazem a obra’, outros ‘obram’.”

“Mesmo esquecido, o caráter continua sendo personagem principal.”

“A teologia – não poucas vezes – contribui mais para o distanciamento que para o discernimento de Deus.”

“Não acredito no ateu que tenha Deus como tema. O falar em Deus repetidas vezes é profissão de fé.”

“Chatos antirreligiosos são tão chatos quanto chatos religiosos. Ambos tratam a como tema para debate.”

“Se Jesus nunca disse ‘Bem-aventurados os chatos’, por que seus seguidores insistem em viver como se esse fosse um mandamento?”

“Nunca recebi convite para ouvir testemunho de ‘ex-chato’. Acho que não entenderam ainda o que é conversão.”

“Quem não olha para Jesus como Chave Hermenêutica das Escrituras, frequentemente se equivoca quando diz ‘Está escrito’.”

“Alguns leem a Bíblia como [se fosse] um livro de proibições; outros, como um livro de princípios. Neurose e saúde habitam a diferença.”

“Hastear bandeiras morais, doutrinárias e ideológicas em nome da fé é desmerecer / ignorar a mensagem do evangelho, que é sempre uma boa nova.”

“Sim, o inferno existe, e ele começa no coração... especialmente naquele que, inflamado pela religião, consumiu o amor.”

“Sem amor, todo discurso sobre Deus é blasfemo.”

“Amar é apagar o fogo do inferno.”

“Todo preconceito é uma afronta à cruz.”

“Amar a Deus não é fazer orações ou cantar louvores. Deus só pode ser amado no próximo.”

“Deus sorri. Um deus mal-humorado não tem graça.”

“E̶s̶t̶á̶ ̶e̶s̶c̶r̶i̶t̶o̶: ‘... Deus é a̶m̶o̶r̶ humor... / e sem f̶é̶ humor é impossível agradar a Deus’.”

“Cristianismo e Evangelho: antônimos confundidos com sinônimos.”

“O juízo peremptório acerca do próximo é a retomada sutil da saga luciferiana pela usurpação do trono de Deus.”

“Na estrada da vida, sujamos os pés com a poeira do caminho. O importante é saber onde encontrar água.”

“Sempre achei esse papo de ‘falar de amor é fácil’ uma grande desculpa para não amar.”

“Acredito que a oração seja mais recurso para pacificar o coração do que meio para conquistar bênçãos.”

“Na Bíblia, quem disse ‘tudo isto te darei se, prostrado, me adorares’ foi o diabo. E, assim, começou a Teologia da Prosperidade.”

“O templo não é mais sagrado que a praça da cidade ou a sombra da mangueira. O evangelho não reconhece geografias.”

“A chamada de Jesus nunca foi para a fixidez geográfica ou para o aquartelamento. O discipulado é a inserção consciente no chão da existência.”

(Pensamentos de Marcos Florentino)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Se me perguntassem...

Marcos, como mentor cristão há 20 anos, que análise você faz da igreja evangélica brasileira na atualidade?

Infelizmente, ser evangélico hoje, numa perspectiva geral, nada tem a ver com o Evangelho. Os valores do Reino, tais como justiça, tolerância, humildade e compaixão, não têm voz nem vez. O que vale mesmo é o show, o espetáculo, a teatralização, o grito, o ativismo, o ‘Deus me falou’, a exuberância dos dons espirituais, o ‘fogo’, o exorcismo, os passos para o sucesso, as campanhas... Poucos perceberam que a verdadeira essência do Evangelho é o amor. Jesus nunca pediu que marchássemos por ele ou que cantássemos uma canção com seu nome, mas ordenou: “assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros”.

O cantor João Alexandre compôs uma música que denuncia o espírito irreflexivo de boa parte da comunidade evangélica. Você acha mesmo que, neste contexto, “é proibido pensar”?

Todos os dias coisas estapafúrdias são ditas e feitas em nome de Deus e da fé. Já ouvi falar de “campanha de oração contra a obesidade”, de “unção do ponto G”... Tornou-se best-seller entre os evangélicos um livro que narra o episódio de uma declaração feita a um pé de abóbora, que, segundo o autor, a partir de então, passou a produzir abóboras em profusão. Ora, se assim fosse, bastaria cada crente sair por aí profetizando e a fome em nosso país estaria erradicada. A fé bíblica passa pelo campo da ponderação, da reflexão e do escrutínio. Os bereanos examinavam todos os dias as Escrituras para ver se as coisas eram, de fato, assim, conforme narrativa do livro de Atos. Já vi gente em parafuso porque ouviu um pastor dizer que criar passarinhos é pecado. Já vi gente sentenciar em tom profético a um cachorro doente e magro o seu diagnóstico: ‘encosto’. Há quem diga que um microfone ou aparelho que falhe na hora do culto é por ação do diabo! Fé sem razão é estupidez, alienação, loucura, fanatismo, desequilíbrio. Em I Coríntios 14, Paulo fala do uso da mente em nossa devoção. Jesus disse: “Amarás, pois, o Senhor de todo o teu entendimento”. Crer é também pensar. O retorno à lucidez e ao evangelho puro e genuíno de Jesus Cristo faz-se premente.

Recentemente, o João Alexandre publicou em seu perfil no Facebook que não faz mais parte do movimento gospel, chamando-o de “idiotizado mercado”. O que você pensa sobre a música gospel?

Música gospel é um cacófato. Ouvir rádio evangélica é cada vez mais difícil e penoso... canções sem conteúdo, sem poesia, eivadas de rimas pobres, lugares-comuns e termos do velho e renitente ‘evangeliquês’. Músicas encomendadas, de caráter estritamente comercial... Graças a Deus por irmãos como João Alexandre, Jorge Camargo, Stênio Marcius, Gladir Cabral, Paulo Cezar (do Logos) e outros como eles, que não se renderam aos interesses mercadológicos!

Muitos líderes cristãos têm combatido com veemência a “Teologia da prosperidade”. O que aconteceu com a espiritualidade e a alma dos cristãos?

Hoje ninguém está mais disposto a servir a um Deus que inclua o sofrimento em sua pedagogia. Querem um Deus papai noel, um Deus gênio da lâmpada, um Deus garçom... no dia em que sentem a aparente ‘indisponibilidade’ de Deus, começam a dizer: “Eu não aceito!”, “Eu determino!”... e se Deus estiver falando através do silêncio, são capazes de blasfemar contra os céus! A fé deles, na verdade, é fé nas riquezas, fé nas benesses...  O que qualquer igreja mais faz hoje é cantar cânticos que falam sobre o Deus que abençoa, que age, que intervém, que prospera... Canta-se sobre ‘restituição’, ‘celeiros fartos’, ‘bênçãos por todos os lados’... Ninguém mais canta sobre o “Grande Dia”, por exemplo. E por quê? Porque a esperança dos crentes deste tempo resume-se aos bens desta terra. É a espiritualidade do “aqui e agora”, sem olhos para a eternidade. Deus não promete prosperidade financeira a ninguém. Quem, na Bíblia, disse “tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” foi o diabo. A prosperidade segundo Deus não cabe em uma teologia, apenas é. Quem serve a Deus apenas por Deus sabe, de fato, o que é prosperidade, e não teologiza nada. Quando o Senhor é o pastor da nossa vida, da nossa alma, nada mais nos falta, ainda que nos falte tudo. Essa é a prosperidade segundo Deus; a outra, é a da Serpente.

Com uma vida dedicada ao ensino cristão, que conselho você daria aos que buscam na leitura das Escrituras a direção de Deus? Em outras palavras, como ler a Bíblia?

Existem várias maneiras de se interpretar as Escrituras, mas só conheço uma que seja realmente segura: TER JESUS COMO CHAVE HERMENÊUTICA (isto é, ler a Bíblia a partir de Jesus). Boa parte das vezes em que ouvi alguém dizer ‘Está escrito!’, ‘A Bíblia diz’, ‘A Palavra de Deus diz que...’, o resultado foi desastroso. E a razão é simples: a Bíblia sem Jesus pode ser usada para qualquer fim, até mesmo justificar preconceitos e alimentar ódios. Como já disse alguém, ‘a Bíblia é a mãe de todas as heresias’. De minha parte, sigo lendo e examinando as Escrituras, como sempre fiz, e cada vez mais encontro inspiração para viver em paz com meus semelhantes, pois em Jesus aprendo que o único dogma é o amor. Ninguém que leia a Bíblia tendo Jesus como referência interpretativa permanece chato ou intolerante.

A igreja sempre falou muito sobre “mundo” e “pecado”. Qual a sua visão a respeito?

Enquanto muitos se preocupam com o mundanismo, achando que este está relacionado a roupas, joias, tatuagens, estilos musicais, artes, festas e uma série de outras coisas, tornamo-nos mundanos por sucumbir à ardilosa estratégia do Maligno, que é nos desfigurar como gente, fazendo-nos desumanos, desalmados, implacáveis, intolerantes, empedernidos, egoístas, narcisistas, empavonados, capazes de amar tão somente por interesse ou quando nos é conveniente. Isso é mundanismo. Boa parte daquilo que se chama de pecado no meio religioso não passa de desejo de dominação e manipulação por parte de líderes enfermos. Gente sã, em paz consigo mesmo, nem fala muito sobre pecado. Essa santidade legalista, respaldada na moral e vomitada dos púlpitos, não passa de esconderijo de almas sombrias. Joga-se luz sobre o ‘pecado’ do outro para se esconder as sombras e as zonas cinzentas que povoam o porão da própria alma. Jesus já dizia que a tentativa de querer tirar o cisco do olho do outro denota a presença de um pedaço de madeira nos próprios olhos. É preciso ter cuidado com os moralistas, pois santarrões costumam ser santarados na essência. Pensem comigo: qual a principal mania do doente? Falar sobre sua doença, certo? Ora, com isso não quero dizer que o pecado deva ser tratado como ‘ursinho de pelúcia’ ou ‘bichinho de estimação’. O que é pecado é pecado mesmo e ninguém deve brincar com isso. Porém, pecado é somente aquilo que desconstrói o ser, transformando-o numa ‘paçoca’. O problema é que a igreja chama de pecado até o que Deus chama de vida. Quanta gente infeliz acreditando no deus estraga-prazer que a igreja anuncia! Pecado é pregar culpa em vez de graça. É transformar a vida do outro em jugo. É julgar o próximo de modo temerário. É, sobretudo, não se enxergar.

Em sua opinião, quais são as maiores incoerências da igreja?

A igreja quer falar sobre liberdade, mas vive sob o jugo da lei. Quer falar sobre perdão, mas fomenta o sentimento de culpa. Quer falar sobre graça, mas vive a lógica das barganhas. Quer falar sobre salvação, mas vive sob a tirania do medo. Quer falar sobre o Evangelho, mas nega a Boa Nova de que Cristo agradou ao Pai em nosso lugar.

Que conselho você daria aos nossos irmãos que querem viver uma fé saudável, seguindo na contramão do movimento evangélico?

Amados, não há mais tempo a perder com a cultura gospel e com os pregadores da TV. Dediquemo-nos a ler o Novo Testamento como quem, de fato, põe os ouvidos na boca de Deus. Apeguemo-nos somente àquilo que seja conforme o Evangelho de Jesus Cristo. E, assim, salguemos a Terra com as boas novas da graça do Pai.